Os novos desafios do mercado coureiro foram os temas em destaque do Congresso Mundial do Couro, que ocorreu em novembro. O painel principal foi liderado pelo diretor da Unido (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial), Sergio Miranda da Cruz. Em sua apresentação, o consultor observou que a dinâmica dos mercados mudou ao longo dos anos e que hoje o setor é dominado por países emergentes. Entre as principais questões a serem analisadas, na opinião do consultor, estão as mudanças climáticas que o mundo vêm enfrentando, fato que deve alterar a agricultura e a pecuária do mundo.
"O setor vai precisar pensar ainda mais em gestão ambiental e em energias renováveis. É impossível continuarmos desta maneira, já que os recursos são limitados", destacou. Cruz ainda acredita que mais carne será consumida no futuro, o que incrementará a produção de matéria-prima. O especialista ainda alertou para o crescimento do consumo interno da China e da Índia, fato que se desdobrará em uma maior produção para o mercado interno e um aumento dos valores pagos aos trabalhadores da indústria. Para o austríaco, os grandes fornecedores do segmento devem cuidar mais de seus produtos, evitando o que chama de comoditização. "É preciso investir em qualidade e em processos inovadores", observou.
Para o diretor do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Emilio Bittar, o setor deveria investir, de forma global, em campanhas que incentivem o consumo de carne no mundo, fato que se refletiria consideravelmente na indústria de matéria-prima. "A indústria coureira é importante para o equilíbrio do mundo", defendeu. Já o consultor Gustavo Gonzales-Quijano acredita que o mais importante, no momento, é a cadeia debater a questão das restrições de importações. "Eliminar o protecionismo deve estar no topo de nossa agenda, caso contrário estaremos sempre um passo atrás", destacou com veemência.
A opinião é partilhada com o diretor da Federação Alemã do Couro, Reinhardt Schneider. Em sua explanação, o especialista bradou que o segmento coureiro precisa trabalhar em nome do livre comércio. "Há pontos obscuros nesta relação que os mercados têm uns com os outros. Do jeito que vai, vamos voltar à idade da pedra e a época do escambo. É necessário progredir", refletiu. O presidente do Conselho Diretor do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Wolfgang Goerlich, acrescentou que todos os mercados são a favor do livre comércio, mas que, na atual situação, igualdade significa condições semelhantes para todas as nações envolvidas.
Fonte: Exclusivo On Line