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Preço do cromo assusta curtidores brasileiros

Jun 11, 2010

Uma dificuldade levantada na última reunião do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) - realizada durante a 34ª Fimec, ocorrida em Novo Hamburgo/RS, entre os dias 13 e 16 de abril - , foi a questão do alto preço do metal cromo.

Curtidores apontam que o mercado está desabastecido e que a produção de cromo está na mão de poucas empresas. Especialistas apontam que a alta se deve ao aquecimento do mercado mundial depois da crise enfrentada até fim do primeiro semestre de 2009. Por outro lado, a recessão que inicia na Europa pode baixar os valores. A ironia é que o preço mais baixo pode não ser vantajoso, visto a queda na demanda que pode ocorrer ainda no segundo semestre deste ano.

Evandro Durli, presidente do Sindicato das Indústrias de Curtimento de Couros e Peles do Mato Grosso (Sincurt) ressalta o fato das altas taxas de consumo impulsionadas pelo bom momento da economia mundial, principalmente da China, país que vem crescendo cerca de 11% ao ano. "A demanda por cromo está aumentando, principalmente na construção civil. Esse fato está fazendo com que falte o produto no mercado e os preços fiquem inflacionados'', avalia Durli, ponderando que, por outro lado, os preços devem baixar com a recessão iniciada na Europa e também devido às medidas contenciosas de crescimento adotadas por países chaves do mercado mundial, como o Brasil e a própria China. "A tendência é que freando o consumo o preço volte aos patamares anteriores'', projeta o dirigente. "Acho que aumentar mais não vai. O preço do cromo chegou ao limite'', opina.

Para o dirigente, o fato traz uma curiosa ironia, pois mesmo com o preço baixo do cromo os coureiros não teriam mais o mercado aquecido que tem atualmente. Durli, que também é diretor da Durli Couros (Curitiba/PR), salienta que os preços dispararam depois da 24ª Asia Pacific Leather Fair (APLF), ocorrida em Hong Kong, no fim de março. O dirigente avalia que, além do aquecimento do mercado mundial, o monopólio e a falência de plantas por questões ambientais também ajudaram à inflacionar o preço do metal. "Além disso, os rumores de aumento do valor provocaram uma corrida dos curtidores para comprar cromo visando estocagem, o que acabou aumentando o valor do mesmo'', acrescenta.

Segundo Durli, dentre as alternativas para o fato, estão curtimentos alternativos, vegetais e isentos de cromo. Porém esses, sublinha, são mais caros. "Temos a questão ecológica, mas ninguém está disposto a pagar mais por isso'', aponta. A sua empresa, como alternativa, tem optado por comercializar peles pré-curtidas e wet white (curtimento sem cromo). O Mato Grosso é o estado com maior percentual de abate no Brasil, registrando cerca de 14 mil abates diários.

 

Fonte: Exclusivo Online