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Como mudar a imagem da indústria do couro?

Dez 19, 2011

O protocolo ambiental pode ser utilizado como importante ferramenta de marketing para a indústria do couro

Poluição, produtos tóxicos e técnicas primitivas. Estes foram os principais assuntos relacionados à indústria do couro segundo a percepção do público médio. Para mudar esta imagem negativa e que não corresponde à realidade, foi criado o Leather Working Group (LWG). O grupo, formado por voluntários da indústria do couro em parceria com grandes marcas e com a participação de ONG´s, gerou um protocolo ambiental. “Tratamos de todos os assuntos de forma honesta para encontrar práticas sustentáveis sem esconder problemas”, recorda Adam Hughes, líder o LWG e diretor comercial do inglês BLC, centro de desenvolvimento de tecnologia para o couro que presta serviço par centenas empresas em mais de 40 países.

Hughes lembra que a iniciativa foi impulsionada por grandes marcas globais de calçados, em especial dos Estados Unidos, que desejavam modificar a imagem que o couro, como indústria, passa à sociedade. “Não trata-se de um certificado, nem de dizer o que é proibido ou permitido, e sim um protocolo de ações efetivas para proporcionar mudanças que tragam benefícios ao meio ambiente e também aos negócios”, relatou Hughes, lembrando que empresas que adotaram o protocolo de maneira correta diminuíram o consumo de energia, reduziram a emissão de poluentes e minimizaram a geração de resíduos. “Apesar dos avanços, sabemos que temos ainda muito a evoluir. O protocolo é um organismo vivo que está sempre se atualizando”, reforça o especialista.

O LWG se reúne a cada seis meses e o último encontro, na Europa, reuniu mais de 100 pessoas. A auditoria leva dois dias e a classificação obtida, que varia entre ouro, prata e bronze, vale por 18 meses. O protocolo tem 90 páginas e pode ser conhecido mais detalhadamente no site da entidade. “Gostaríamos que o segmento de estofamento também aderisse ao protocolo, uma vez que hoje ele praticamente se restringe ao calçado”, concluiu.

O diretor de marketing da unidade de negócios do couro da Lanxess (Alemanha), Dietrich Tegmeyer, lembrou que o uso deste protocolo pode ser utilizado como importante ferramenta de marketing para a indústria do couro. PhD em Química, Tegmeyer lembra que o conceito de ‘ecológico’ muitas vezes confunde o público geral e as normas estabelecidas pelo LWG surgiram para dissipar esta dúvida. “Devido a esta ação pioneira, hoje temos este conceito definido”, avaliou.

Moacir Berger de Souza, presidente executivo da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul), em seu pronunciamento, falou das ações que a entidade tem implementado para se adequar a rigorosa legislação ambiental brasileira. “O tripé consumo de energia, uso de água e geração de resíduos está equacionado”, afirmou. Entretanto, prosseguiu Berger, existem parâmetros inatingíveis do ponto de vista prático e que devem ser melhorados e analisados pelos envolvidos.

O presidente da União Internacional de Sociedades de Técnicos e Químicos de Couro (IULTS, na sigla em inglês), Elton Hurlow, acredita que há solução para as demandas ambientais e que o segmento de produtos químicos é essencial neste contexto. “Os investimentos nesta área são compensados”, relata. Hurlow defende que outros segmentos, além dos tradicionais poderiam – e deveriam – usar o couro como matéria-prima.

O painel Ecologia e Couro foi finalizado pelo vice-secretário geral do CLIA (China), Chen Zhanguang, que também alertou para a defasagem do preço do couro e para os desafios da indústria no sentido de aprimorar a qualidade e as aplicações do material.

Fonte: Exclusivo On Line