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Setor automotivo deve usar mais couro

Dez 27, 2011

Deve ser tendência no segmento de couro para estofamento automotivo, o aspecto mais natural

Em 2012 passa a valer na Comunidade Europeia uma norma padrão que define a quantidade mínima de couro a ser usada no estofamento automotivo para que o mesmo possa levar o selo de uso do material. A informação foi passada pelo diretor mundial de Negócios do Segmento Automotivo da Sthal (Holanda), Mike Tomkim.

Segundo Tomkim, um estudo mostrou que, em média, apenas 40% do material utilizado em estofamentos automotivos vendidos como sendo de couro são o material de fato. “Passará a vigorar no ano que vem a norma que aumentará esta participação para, no mínimo, 80%”, revela. Conforme o especialista do Reino Unido, esta medida deve aumentar o consumo neste segmento. “Este negócio pode dobrar no futuro e não sei ainda como a indústria poderá dar conta da demanda. De qualquer modo, temos que globalizar esta norma e talvez estendê-la para outros segmentos, como o moveleiro”, argumenta.

Porém, em contraponto a esta perspectiva promissora, Tomkim revela que há um achatamento nos preços pagos pelas indústrias automotivas por este material. Segundo ele, o couro volta a ser um diferencial nos carros, agregando valor ao produto quando acompanhado de outros itens. “Até os anos 50, todos os estofados de carros eram de couros. Depois eles quase desapareceram nos anos 60 e 70 por causa das crises do petróleo no Oriente Médio. Nos anos 80 eles retornaram com grande força. Um dos motivos foi a invasão dos automóveis japoneses nos Estados Unidos que, para poder ingressar no país, usavam o couro norte-americano”, recorda . Nos últimos três anos, devido as novas crises internacionais, houve redução leve do número de carros que usam o couro no estofamento. “Estamos quase voltando aos patamares de 2007, que representaram o ápice do setor”, completa.

O aspecto mais natural deve ser uma tendência para o segmento de couro para estofamento automotivo, revelou Tomkim. “Eu me refiro a um material menos acabado, com imperfeições e marcas, mas que remete ao aspecto natural, que é exatamente o diferencial do couro em relação aos materiais concorrentes”, avaliou. “Não há motivos para o couro ser um material bem sucedido no futuro”, concluiu.

Gerhard Wolf, gestor do serviço técnico para o couro na Basf (Alemanha), confirmou que o aspecto de polímeros é o mais empregado nos couros, com aparência até vinílica, em detrimento do aspecto mais natural das peles.

O gerente para o Segmento Automotivo do Grupo JBS (Brasil) - maior curtume e produtor da matéria prima em couro para automóveis no mundo -, o inglês Steve Muller, enfatizou a evolução das tecnologias e da padronização dos fornecedores para o sucesso do uso do couro como estofamento nos carros. “Nos anos 90 se criou, finalmente, a norma TS 6939 que definiu os parâmetros a serem seguidos pela indústria”, recordou.

O diretor da empresa Philips, Llorens & Co. Inc (Canadá), David Philips, relembrou o início dos trabalhos com curtumes do América do Sul, em especial do Brasil, para o desenvolvimento e comercialização de couros de estofamento automotivo. “Tivemos muitas dificuldades que foram superadas gradativamente”. Quem encerrou o primeiro painel da tarde foi o vice-presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Umberto Sacchelli. Ele saudou a projeção de aumento do uso do couro em estofamentos automotivos , mas lamentou a queda constante do preço do material. “Hoje as margens são muito apertadas”, ponderou.

Fonte: Exclusivo On Line